Vista superior de três estudantes do IFPE Campus Caruaru uniformizados sentados em secretárias azul-turquesa, com cadernos de espiral, óculos e smartphones sobre as bancadas

Ana Luiza Barros Moreira Ramalho

Acompanhamento desde o julgamento a prisão de jovens infratores: mergulho no documentário “Juízo” 

Ana Luiza Barros Moreira Ramalho

Estudante do Curso Integrado de Segurança do Trabalho do IFPE-Campus Caruaru

Data: 3 de dezembro de 2023.

O Juízo, filme documental dirigido por Maria Augusta Ramos e produzido por Diler Trindade, foi lançado em 2007 pelas companhias produtoras Diler & Associados e Nofoco Filmes, retrata o processo de julgamento para jovens menores de dezoito anos de idade por roubo, tráfico e homicídio, na cidade do Rio de Janeiro.  

É evidente que a diretora não fez vista grossa nem passou pano às mazelas da nossa sociedade, tentando retratar a desigualdade social e o sistema judiciário e carcerário no Brasil, acompanhando o tratamento dos infringentes no Instituto Padre Severino e em tribunais, do julgamento à prisão.  

Visto que, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe o uso de imagens de menores de 18 anos, a fim de preservar suas identidades, os casos apresentados neste longa metragem são retratados por meio de jovens pertencentes a três comunidades da capital fluminense, que compartilham das mesmas condições de risco social, mas, o restante dos personagens executam os seus papéis sociais verdadeiros, como, juízes, agente penitenciários, funcionários da DEGASE (Departamento Geral de Ações Socioeducativas), os familiares, entre outros. 

Tornando o documentário muito diferente, com a predominância de uma linguagem mais coloquial, até mesmo por parte dos funcionários jurídicos. E é importante salientar a qualidade de atuação desses meninos e meninas que interpretaram os menores infratores. No entanto, nas filmagens contém poucos cortes, de qualidade precária e as câmeras são totalmente estáticas, sem muito refino estético nem técnica de gravação. 

Mas, mesmo passados 16 anos, muitos trechos do documentário foram publicados neste ano, principalmente os que contém a presença da juíza Luciana Fiala, por ocasião de suas lições de moral; a forma de sua abordagem para com os réus, sinceridade, convicção e firmeza, denotam algo intrínseco e até mesmo interessante. 

Seus noventa minutos, tratam também do contexto socioeconômico desses adolescentes, a privação de atividades de qualidade que fomentem a educação, a cultura e principalmente a assistência familiar. Os casos abarcados no filme são de comunidades desfavorecidas, atormentadas pela violência e o tráfico de drogas, como também, comandadas pelas facções criminosas locais. Esse triste retrato, é o ambiente vivenciado por esses adolescentes. 

A família é, sem dúvida, o local primário, onde o indivíduo em formação, tem o contato com os valores, que irão nortear as condutas e caminhos na vida em sociedade, sendo assim, é de extrema importância para formação moral e social do ser. A partir desse fato, sabemos que com a má maneira, ou até mesmo, a ausência de uma educação concreta por parte do pais pode resultar no encaminhamento do qual se trata a obra Juízo.  


"Ana Luiza Barros Moreira Ramalho" por criadapalavra@gmail.com. Licenciado sob CC BY-NC-SA 4.0.
O autor retém direitos para publicações comerciais futuras (livros e artigos).

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