Vista superior de três estudantes do IFPE Campus Caruaru uniformizados sentados em secretárias azul-turquesa, com cadernos de espiral, óculos e smartphones sobre as bancadas

No way home: História de evolução e amadurecimento acompanhada de doses de nostalgia

João Pinheiro Miranda

Estudante do Curso Integrado de Mecatrônica do IFPE-Campus Caruaru

Data: 4 de dezembro de 2023.

Homem Aranha: Sem volta para Casa é uma obra cinematográfica dirigida por Jon Watts e, apesar de ser um filme da Sony, se passa no Universo Cinematográfico Marvel (UCM). O longa-metragem teve sua estreia no dia 16 de dezembro de 2021 nos cinemas brasileiros e está recheado de nostalgia. O elenco conta nomes famosos como Tom Holland, Zendaya, Andrew Garfield, Willem Dafoe, Benedict Cumberbatch, entre outros. Mesmo em um período pandêmico, em que muitas pessoas ainda estavam com receio de sair de casa, a obra conseguiu entusiasmar tanto os fãs quanto as pessoas que ainda não estavam inseridas neste incrível universo geek. Essa habilidade de atrair o público foi tanta que, com um orçamento de 200 milhões de dólares, Homem Aranha: Sem volta para Casa atingiu a marca de 1,916 bilhão de dólares, se tornando a maior bilheteria da história mundial, algo realmente impressionante considerando o período em que foi lançado.

O filme continua exatamente de onde o anterior acaba, com a identidade de Peter sendo revelada ao mundo e ele sendo investigado pela morte do vilão Mistério (que para a população era um herói). O grande diferencial da terceira obra cinematográfica da trilogia é que ela resolve de maneira brilhante as principais críticas que esta versão de Tom Holland recebia. Essas eram: a facilidade com que ele tinha as coisas (recebendo trajes altamente tecnológicos e suporte dos outros personagens)  e a consequente falta de maturidade do personagem. O processo de desenvolvimento de maturidade de Peter nas HQs é com certeza um dos motivos que o fazem ser tão amado pelos fãs, o personagem passa ao longo de sua história por diversas dificuldades e eventos traumáticos que tentam sempre derrubar-lo, a exemplo da morte de seu tio Ben, que morre por um ato de egoísmo do próprio Peter. O filme consegue trazer essa marcante característica, ao fazer o personagem passar por diversas situações que o obrigam a amadurecer e aprender a se virar sozinho. A interação com os outros personagens, em especial com suas outras versões do multiverso, contribuem muito para o crescimento do personagem na história. E não podemos esquecer, obviamente, de falar da nostalgia. Homem Aranha: Sem Volta para Casa trouxe de volta os antigos atores que interpretaram o papel do Homem Aranha e a interação entre eles foi simplesmente espetacular. Ver-los trocarem experiências entre si e criarem laços de irmandade é algo que realmente emociona quem acompanhou a trajetória de Peter Parker no cinema.

Não seria justo deixar de falar  também da incrível atuação de Willem Dafoe, que é o grande antagonista da trama toda. Apesar de quase 20 anos de diferença desde a última vez que atuou como o Duende Verde, Willem Dafoe consegue trazer a mesma essência do personagem que apareceu em Homem-Aranha 1 (de 2002), arrisco dizer que o interpretou ainda melhor do que antes. Ele é o verdadeiro vilão da trama toda, alguém que o Peter de Tom Holland aprende a odiar. Apesar de tantos acertos, o filme erra na questão de limites que de maneira alguma devem ser ultrapassados. Como dito anteriormente, a trama se aprofunda na evolução do protagonista, agora Peter não é mais um garoto igual em sua primeira aparição, mas um herói que aprende com seus erros e assume a responsabilidade por eles. Inclusive, acontece um evento presente em praticamente todas as outras versões de Peter, a morte de um ente querido. No caso dessa versão, quem morreu foi sua tia May, que em seu leito de morte enuncia a famosa frase “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, que é o verdadeiro lema do personagem em quase todas as suas versões e explica que tudo que nós fazemos tem consequências, sejam boas ou ruins. E esse efeito é potencializado no caso de Peter, que possui uma gigante responsabilidade sobre suas costas. E ao entender isso, ocorre a real evolução do personagem. O erro é que, mesmo após toda essa construção moral do personagem, o roteiro peca em um momento crucial: A batalha final com o Duende Verde. Nesse momento, toda a evolução de Peter até aquele momento é colocada à prova e ele falha. É como se toda a trama do homem aranha, desde sua primeira aparição no UCM, fosse voltada para aquele momento, e mesmo assim todas as experiências, o crescimento, o amadurecimento e é como se não tivessem servido de nada. É realmente problemático não só porque ele toma uma decisão que vai totalmente contra a essência do personagem, mas também vai contra toda a trama do Homem Aranha no UCM. Tudo é montado para que ele incorpore a ideia de que a grande responsabilidade que acompanha seus poderes é jamais ultrapassar a linha do assassinato, jamais se rebaixar a esse nível do vilão. Porém, essa incorporação não ocorre e ele quase ultrapassa o limite, só não o faz por ser impedido por suas outras versões do multiverso, e se ele precisou ser impedido, toda a construção do personagem foi feita em vão.

Apesar desse erro tremendo, o filme realmente vale a pena e é com certeza um dos melhores filmes de super-herói nos quesitos emoção e nostalgia. Homem Aranha: Sem Volta para Casa é realmente fenomenal e, embora as expectativas sobre ele já serem altas, conseguiu entregar tudo o que prometeu e surpreendeu muitas pessoas. O filme é recomendado aos fãs da cultura geek e mesmo aos que não estão inseridos ainda nesse universo.


"No way home: História de evolução e amadurecimento acompanhada de doses de nostalgia" por João Pinheiro Miranda. Licenciado sob CC BY-NC-SA 4.0.
O autor retém direitos para publicações comerciais futuras (livros e artigos).

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