As verdades reveladas da dama do vestido verde em “Os sete maridos de Evelyn Hugo”
Estudante do Curso Integrado de Segurança do Trabalho do IFPE-Campus Caruaru
Data: 3 de dezembro de 2023.
O livro “Os sete maridos de Evelyn Hugo” é uma obra que conta a história da lendária, icônica estrela de Hollywood, o mito do cinema, que retrata o empoderamento feminino, a representatividade LGBTQIA+, violência doméstica, erotização da mulher, reviravoltas, preconceitos vivenciados pela protagonista.
Escrito pela escritora norte americana Taylor Jenkins Reid, a qual ficou muito conhecida pelos seus livros: Os sete maridos de Evelyn Hugo (2017); Malibu Renasce (2021) e Daisy Jones & The Six (2023).
Um fato muito curioso que explica a relação da autora com seu próprio livro -Os sete maridos de Evelyn Hugo-, é sobre o fato dela ter trabalhado, antes de escrever, ser escaladora de elenco de Hollywood, e gostar tanto de ter essa relação com os personagens, que deixou os bastidores para criar seus próprios, podendo ter a liberdade para criar uma vida falsa, podendo inventar escândalos e segredos, podendo revelá-los quando quisesse. E a ideia para criar a história de Evelyn, surgiu quando a própria leu um livro de memórias sobre a atriz Ava Gardner, e explora em seu livro, dilemas que uma mulher bissexual e famosa enfrenta nos anos 1960.
O livro retrata a trajetória da lenda do cinema, seu icônico e inconfundível cabelo loiro, vestido verde que valorizava sua beleza corporal, o qual muitas vezes encantou seu público pela forma como Evelyn o dominava e usava-o. Evelyn Hugo, prestes a completar 80 anos, decide contar sua história como de fato aconteceu, mostrar como era sua vida, longe das câmeras, longe do seu público, mostrando como era de verdade, e mostrando as armas para sobreviver no mundo, revelando ser um ser humano com vários defeitos, imperfeições, que errou, teve atitudes egoistas e tóxicas, magoou quem mais amava, mostrando como colocou, muitas vezes, a sua fama e dinheiro acima dos seus sentimentos, porém só contaria para a jornalista Monique Grant.
Evelyn não teve uma infância fácil, sendo até um ponto para querer mudar de vida, aproveitando as oportunidades que lhe apareceram e deixou tudo para trás, se lançando para o mundo das câmeras, para se tornar estrela de Hollywood e lenda das telas nos anos 1960, se casando sete vezes, cujo cada casamento tendo seu motivo diferente e circunstância diferente, tendo suas particularidades as quais a levou para um lugar que não queria mas precisava estar, que foi se adaptando com o destino, sabendo contornar as situações e dando a volta por cima, na maioria das vezes, tendo casos secretos que não foram descobertos, seu romance com seu verdadeiro amor, Celia St.James, que por pressão externa não saiu como esperado, houve acidentes, reviravoltas, nascimento da sua filha, Connor.
Monique Grant – a jornalista que Evelyn exigiu ser ela para contar sua história, por motivos essenciais e inesperados. Uma jornalista que sempre lutou para trabalhar na revista dos sonhos, tanto pela importância, quando pelo seu objetivo, acaba não recebendo seu devido reconhecimento. Ao receber a proposta da entrevista tão importante, por ser Evelyn Hugo, Monique se organiza para falar com Evelyn e aos poucos vai percebendo que não foi a toa que Evelyn a chamou para contar a história da sua vida, percebendo que seus caminhos estão interligados por um motivo.
Em relação a escrita, o livro possui 354 páginas, cujos os capítulos são divididos de acordo com os setes casamentos. Ou seja, cada casamento tem seu capítulo, mostrando seu início, seu meio e fim. E, de início, mostra como se conheceram e qual é a importância para a vida de Evelyn. Cada qual diferente, mostrando que de acordo com as circunstâncias que Evelyn presenciava, cada um aparecia especialmente para tirar ela de tal situação. Por mais que houve uns que não foram bons, mas todos foram essenciais para ela estar onde ela chegou. Algo que se é legal pontuar, é que todos são nomeados por um adjetivo, revelando um pouco sobre sua influência na vida da protagonista – “O brilhante, generoso e sofrido Harry Cameron” que em minha opinião, foi o melhor marido, por também ter sido um grande amigo, por ter conhecido um lado de Evelyn que raríssimas pessoas haviam visto, e continuou ao lado dela, mostrando a amar de verdade.
A história é muito envolvente, muito bem desenvolvida. Por ser tão próxima à história real, o leitor acaba acreditando que de fato aconteceu e quando percebe que não foi de verdade acaba ficando frustrado. Falo isso por experiência própria, pela forma como a história é construída, pelos mínimos detalhes, cria uma relação com cada leitor, cada leitor acaba mergulhando de formas diferentes no livro. Tendo horas que se entende Evelyn, outras horas não se entende e acaba julgando, mas sendo um ponto positivo porque faz com que quem está lendo queira ficar ali cada vez mais.
Um momento muito especial é sobre a relação de Evelyn com sua filha. No qual Evelyn fica vulnerável, depois de tantas vezes sendo mais forte possível, ela se deixa permitir ser humana. Apesar de breve, se comparar com o tempo em que ela não deixou os sentimentos serem mostrados, mas no instante em que Evelyn fica sensível, acredito que todos que leram essa parte, tiveram vontade de abraçá-la, assim como eu.
Encerro com uma frase que resume bem a relação do leitor com o livro: Evelyn Hugo faz Elizabeth Taylor parecer sem graça, você vai rir com ela, chorar, sofrer e então voltar para a primeira página e fazer tudo de novo.
"As verdades reveladas da dama do vestido verde em “Os sete maridos de Evelyn Hugo”" por Maria Clara da Silva Santana. Licenciado sob CC BY-NC-SA 4.0.
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