Vista aproximada de três páginas de livro sobrepostas em diferentes ângulos, exibindo texto impresso em língua portuguesa sobre papel de tom creme

Letícia Victoria da Silva Santos

Neblina

Letícia Victoria da Silva Santos

Estudante do Curso Integrado de Edificações do IFPE-Campus Caruaru

Data: 22 de outubro de 2024.

Ela foi de cores, de sabores, de amores, e por fim, de si própria. Ela recebe o nome de neblina e logo se lembra da chuva que cai lá fora. Dias longos, intensos, chuvosos, e serenos, tanto tempo quanto a ditadura que durou anos e foi o puro veneno. Ela dança e balança, faz mil e uma coisas, e justamente assim, soa como anjo. A Neblina é tanto, por tanto, pra tanto, mas nunca o suficiente para te prender com encantos. Ela se diverte durante os dias, sacode em meio a tanta folia, mas logo volta e se parte em milhares de pedacinhos. A Neblina era a melhor em tudo, de tudo, e com tudo, mas nunca o suficiente. Assim ela muda e tenta virar gente. Faz mais cursos, busca um novo mundo, e quem sabe talvez um dia isso faça sentido. Neblina busca um grande amor, uma nova aventura, um café na laje, e um lar. Ela vive a vida intensamente e nunca para de dançar, Neblina é amada e desejada por todos, mas mesmo assim, nunca o suficiente para ficar. Sua intensa voz conquista tudo e todos, mas nunca tentam se quer beijá-la. Todos esperam que um dia Neblina entenda que não importa com quem, quando, ou como, ainda assim, ela sempre será perfeita demais para ser real. Depois de uma fuga em um natal, Neblina some sem deixar pistas, feridas, ou sinais. E até hoje ainda se escuta a mesma pergunta, por onde esteve Neblina?

Se é que viva ela está.


"Letícia Victoria da Silva Santos" por criadapalavra@gmail.com. Licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0.
O autor retém direitos para publicações comerciais futuras (livros e artigos).

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