Vista superior de três estudantes do IFPE Campus Caruaru uniformizados sentados em secretárias azul-turquesa, com cadernos de espiral, óculos e smartphones sobre as bancadas

ADORÁVEIS MULHERES: uma representação da liberdade feminina em tempos adversos

Maria Geovana Soares Fonseca

Estudante do Curso Integrado de Segurança do Trabalho do IFPE-Campus Caruaru

Data: 3 de dezembro de 2023.

Nos anos seguintes à guerra de Secessão, Jo March e suas duas irmãs voltam para casa quando Beth, a tímida irmã caçula, desenvolve uma doença devastadora que muda para sempre a vida delas.

O filme retrata a história de quatro irmãs da família March que viveram em período de guerra civil, em uma sociedade onde o machismo era realidade.  A mensagem da obra seria trazer a ideia da liberdade feminina e seus devidos sonhos, os representando nas quatro diferentes irmãs, onde as mesmas trilhariam seus caminhos apesar de todas as dificuldades, mostrando a união presente entre elas.

Greta Gerwing foi a responsável por criar e dirigir essa obra cinematográfica, que fora publicada em 2019. Ela também desenvolveu outros filmes como, “Barbie” e “Mulheres do século 20” que compartilham aspectos semelhantes á Adoráveis Mulheres, por conter uma mesma ideia central que corresponde ao um mesmo público alvo.

O filme foi apenas mais uma adaptação da obra “Mulherzinhas” criada por Louisa May Alcott no ano de 1868. O livro foi baseado na história de vida da autora, que viveu em uma época difícil e que trouxe através de sua realidade uma serie de reflexões e contextos que estão longe de estarem no passado. A obra de Alcott trazia a história de quatro irmãs que continham sonhos diferentes em um período sem oportunidades para o gênero feminino.  Porém, ela dá vida à personagem principal inspirada em sua pessoa, apresentando-lhe aos leitores como uma mulher que possui grandes aspirações e que veio para mudar o contexto e a ideia posta pela sociedade da época.

Por se tratar de um clássico, houve muitíssimas adaptações, tanto cinematográficas como literárias, mas a que ganhou o coração do público jovem foi à ideia posta por Greta. A forma que ela escreveu a história e o romance, sem desconectar-se da história primitiva, fez com que a obra original não perdesse o seu valor, e ainda desse os créditos a sua autora. Não podendo esquecer-se dos personagens, é notório o desenvolvimento e a ligação de todos no decorrer do enredo, trazendo como um grande exemplo, a irmã caçula (Beth March) que é retratada como uma jovem adorável, calma, doce e que mesmo tímida tem um grande talento musical. Apesar do final que a ela foi proposto, a mesma não deixou de ter um papel importante na história do filme ou de não ser umas das preferidas pelos fãs.  Mesmo com todos muito bem envolvidos, temos um foco central, presente em (Jo March) personagem principal e sua irmã (Meg  March), trazendo muito bem o equilíbrio entre ideias opostas. Dentro do enredo, Jo quer percorrer o caminho de escritora sem assumir um casamento ou o que achavam ser o único papel da mulher naquela época, enquanto Meg queria apenas uma vida simples e um casamento por amor. Como o filme retrata um romance de época, as escolhas de cenário, figurino e até mesmo as trilhas sonoras, foram essenciais para levar o filme ao passado e trazê-lo ao presente, nos mergulhando na historia mesmo que seja de forma imaginária ou reflexiva.

Trazendo os problemas retratados no filme, é possível notar que, apesar de serem situações que eram características de uma época passada, as mesmas ainda estão presentes em nossa realidade. Uma frase falada no filme por um personagem masculino, durante uma negociação de trabalho representa essa perspectiva muito bem.Quando ele fala, “Com quem ela se casa?” O fato de esperar que a personagem fosse casada, revela o pensamento daquela época, onde se esperava das mulheres uma única tarefa, a de ser casada e esse se tornar seu único objetivo e dever. Já em outra fala “A moral não se vende hoje em dia” demonstra como uma mulher obstinada a participar da sociedade e contrariando as ideias ultrapassadas, pode ser temida e considerada uma ameaça.

Trazendo isso a nós, podemos perceber como essa realidade nunca deixou de ser atual. Muitas mulheres têm essas ideias incorporadas na sua vida cotidiana, onde são sujeitas a aceitar esses pensamentos, que dizem que o único papel da mulher, deve ser o compromisso com o casamento, sem a devida participação na sociedade ou na realização de suas ambições.

Sabemos que muitas dessas mulheres aceitam essas ideias, por não verem nenhum problema e até gostarem desse estilo de vida. Contudo existem outras como Alcott que se importam e querem ver a diferença, estando destinadas a lutar pelos seus direitos, eliminando tais ideias que foram postas pela sociedade.  O final do filme é especialmente dedicado a ela que recebe uma bela homenagem, pelo fato de já ter estado no mesmo lugar da personagem principal, no momento da venda do livro. Alcott estava disposta a publicar sua coleção nova denominada “mulherzinhas” com total direito, acredito e sem medo de julgamentos. Representando uma maioria e comprovando que sim! A moral se vende hoje em dia.


"ADORÁVEIS MULHERES: uma representação da liberdade feminina em tempos adversos" por Maria Geovana Soares Fonseca. Licenciado sob CC BY-NC-SA 4.0.
O autor retém direitos para publicações comerciais futuras (livros e artigos).

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