Vista aproximada de três páginas de livro sobrepostas em diferentes ângulos, exibindo texto impresso em língua portuguesa sobre papel de tom creme

O vendedor de doces do sinal

Samuel Isaac Pereira da Silva

Estudante do Curso Integrado de Edificações do IFPE-Campus Caruaru

Data: 22 de outubro de 2024.

Um homem, grisalho, aparentemente com altura mediana e parecendo um mendigo, acabará de entrar no ônibus em sua última parada a um sinal, e logo começou a falar: “Bom dia pessoal, sei que estão com a vida corrida, e por isso, sei bem que um docinho sempre pode alegrar seus dias, por isso vim aqui na humildade, informá-los que estou vendendo esses docinhos aqui pra quem quiser comprar.”.

O nome desse senhor, era Jailson, ele de fato, parecia alguém com o qual pudesse socializar; sua aparência, poderia de fato “assustar” por ser menos rebuscada, mas seu olhar era de alguém cansado, ou era algo que Agosto, pensará ao ver a situação do homem. Agosto estava sentado na ponta direita do mesmo, e estava julgando o Jailson mesmo sem conhecê-lo plenamente, não de má forma, mas ainda sim era um preconceito. Ele pensou então que comprar os doces, poderia ajudá-lo, pois como o próprio Jailson disse, às vezes “até adultos precisam de algo doce para alegrar a vida”, mesmo que esse doce não seja de facto, doce, para agosto seria uma atitude nobre, e mais satisfatório que qualquer doce que comera no momento. Então, ele logo levantou-se da cadeira, e perguntou a Jailson o preço de seus doces, o qual logo respondeu que todos estavam na faixa dos dois reais. Agosto então, tirou uma nota de 50, e pediu para Jailson dar 30 tipos dos variados doces que Jailson possuía na caixa. Claro, Agosto poderia comprar os doces de Jailson por uma quantia menor, por exemplo 10 doces pelos 50, mas preferiu deixar desta maneira, ele queria ajudar mas não queria que parecesse uma “caridade”. O tempo então passou, mais ninguém havia comprado os doces de Jailson, mas de fato, o mesmo já parecia satisfeito o bastante com a situação, e antes de descer ao seu ponto, Jailson se aproximou de agosto, e proferiu as seguintes palavras: “Posso não ser tão jovem, e justamente por isso sei bem o quão doce alguns momentos da vida podem ser, por isso, não consigo odiá-la, mesmo que ela tente me quebrar por vezes. Fique com esse garoto, gostei de você”. Logo, Jailson entregou um envelope em branco, e partiu do ônibus que acabara de chegar a um sinal, um assim como de onde tinha vindo. Agosto mal teve tempo de chegar o envelope, mas, apesar disso, decidiu checa-lo pouco depois de se indagar o suficiente com as falas de Jailson, e ao checar, percebeu que dentro do envelope, estava um cheque em branco, e percebeu que a assinatura do emitente estava sobre o nome de “Jailson de Souza e Silva”, um famoso sociólogo, e coautor do livro “As Cidades de Deus”.


"O vendedor de doces do sinal" por Samuel Isaac Pereira da Silva. Licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0.
O autor retém direitos para publicações comerciais futuras (livros e artigos).

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