Luiz Henrique Silva de Oliveira
O último trem
Luiz Henrique Silva de Oliveira
Estudante do Curso Integrado de Edificações do IFPE-Campus Caruaru
Data: 22 de outubro de 2024.
Era uma noite fria de outono quando Clara decidiu que era hora de voltar para casa. O vapor do seu hálito se misturava ao ar gelado enquanto ela caminhava pela plataforma quase deserta da estação. O relógio na parede marcava 23h15, e o último trem para sua cidade sairia em poucos minutos. Clara sempre amou viajar de tem. Havia algo nostálgico em sentir o movimento suave dos vagões, o som das rodas sobre os trilhos e o sutiu balanar que a fazia esquecer os problemas do dia a dia. Mas naquela noite, a atmosfera era diferente. O vento uivava como um lamento, e as luzes da estação piscavam intermitentemente, criando sombras dançantes nas paredes.
Enquanto esperava, Clara notou um homem sentado em um dos bancos. Ele parecia deslocado, com um sobretudo escuro e um chapéu que cobria parcialmente seu rosto. Seus olhos, no entanto, eram intensos e inquietos. Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas decidiu ignorá-lo. Afinal, a pressa de voltar para casa era maior. O apito do trem cortou a noite, e Clara se aproximou da borda da plataforma. O trem chegou, seus vagões iluminados parecendo uma serpente de luz na escuridão. Ela subiu rapidamente e encontrou um lugar à janela. Enquanto o trem começava a se mover, Clara olhou para fora e viu o homem ainda sentado na plataforma, observando-a com uma expressão enigmática. Conforme o trem ganhava velocidade, Clara não conseguia parar de pensar no estranho. Algo em sua presença a inquietava. As árvores passaram como sombras e as luzes da cidade se afastaram, mas o homem permanecia em sua mente, como uma figura que a seguia nas sombras. De repente, o trem parou abruptamente. As luzes se apagaram, e um silêncio pesado tomou conta do ambiente. Clara sentiu um nó no estômago. Os passageiros murmuravam, inquietos, enquanto um funcionário apareceu no corredor, tentando acalmar a situação. “Um pequeno problema técnico”, disse ele, mas a ansiedade no ar era palpável.
Foi então que Clara viu, pela janela, o homem de chapéu. Ele estava na beira dos trilhos, olhando diretamente para ela. Seus olhos pareciam penetrar sua alma, e ua sensação de pânico a envolveu. O funcionário começou a distribuir lanternas para os passageiros, enquanto Clara sentia um impulso irresistível de abrir a porta e sair. Mas algo a detinha; uma força invisível que a mantinha grudada no lugar. Finalmente, após o que pareceram horas, o trem recomeçou a se mover, e as luzes voltaram a brilhar. Clara respirou aliviada, mas ao olhar novamente para a plataforma, o homem havia desaparecido.
O mistério o cercava, como um eco que não se dissipava. Naquela noite, enquanto Clara se aconchegava em sua cama, a imagem do homem ainda a atormentava. Ela não sabia se aquilo fora um aviso, uma visão ou apenas uma ilusão causada pelo cansaço. Mas uma coisa era certa: a vida é cheia de encontros estranhos e significados ocultos, e ela estava apenas começando a descobrir os mistérios que o mundo tinha a oferecer.
"Luiz Henrique Silva de Oliveira" por criadapalavra@gmail.com. Licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0.
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