O Mistério de Katarine
Estudante do Curso Integrado de Edificações do IFPE-Campus Caruaru
Data: 22 de outubro de 2024.
O céu estava escuro e sombrio naquele fim de tarde, além das janelas do vagão mal iluminado trovões rasgavam o mesmo, de certo uma tempestade viria antes da chegada do crepúsculo. Katarine estava sentada em um dos bancos próximos ao centro do vagão, com a cabeça encostada na janela, tentava se desprender do mundo a sua volta, “dia cheio”, pensou ela ainda tentando convencer a si mesma que tudo daria certo, não precisava se preocupar com nada, só estava passando por uns “maus bocados”.
O vagão enchia vagarosamente, o “som do capitalismo” pensou consigo mesma, pensou em dormir, mas só de lembrar dos pesadelos que andou tendo mudou de ideia simultaneamente, “mas está tão cedo! É apenas um cochilo! Já já eu acordo!” o relógio marcava 15:30 ela só iria chegar em sua parada às 18h ela é foi assim que Katarine cedeu ao cansaço e aos seus pensamentos adormecendo levemente sobre o banco surrado do vagão da Grande São Paulo, enquanto o deixava-se levar pela negridão inebriante a levava cada vez mais para o fundo quase como algo vital.
“Vejo-me correndo como um cervo assustado não sei especificamente do que, mas eu não posso parar, os galhos das árvores arranham as minhas pernas enquanto tento não escorregar na lama que envolve os meus pés tão bem quanto uma luva, o céu raivoso entoa sua fúria e a derrama em forma de chuva isso é a premonição de que algo horrível iria acontecer, eu consigo ouvi-lo, o homem alto, forte com olhos tão frios quanto às águas profundas do pacífico. Meu cérebro não pensa nem ao menos minhas pernas me obedecem, o que estou fazendo aqui? Katarine como você se meteu nisso? Não dá tempo de pensar, o homem se aproxima, não posso parar! Tento repetir para mim mesma na esperança de manter a calma, mas minhas pernas querem vacilar, de repente um clarão forte perto de mim me faz tropeçar em um galho de uma árvore me fazendo cair com um baque frio no chão, e de repente um som ensurdecedor seguido de uma dor fulminante, vou morrer! Tenho certeza! Vou morrer! A última coisa que vejo antes de acordar é os olhos dele! Os olhos dele!”
Katarine volta à realidade tão de repente que chega a sentir um enjoo, enquanto limpa o suor de sua testa, de certeza teria que andar bastante para voltar para sua casa, droga!
O sonho a perseguiu durante vários dias, o olhar do seu vizinho era inevitável! Era idêntico aquele olhar duro e frio daquele homem que a perseguia todas as noites! Mas ao contrário daquele ele era gentil! Amável! Não pode ser o mesmo! Mas tudo bem! Tudo vai ficar bem! Falava pra si mesma repetidamente, por mais que soubesse a real verdade.
– Katarine, sonhos são coisas criadas por nosso psicológico baseado em nossas experiências no dia a dia, você está apenas impressionada.
Faz uma semana que Katarine começou a terapia, admitamos steven é um bom psicólogo, mas não acredita em nenhuma crendice, esse foi o único ponto onde ele pecou e que levou o fim da pobre garota, mas de que adianta agora? O mal já está à porta e não há nada a ser feito. E admitamos que a garota já tinha 21 anos, não tinha mais tempo de se preocupar com pesadelos , por mais real que fossem. No momento ela só queria chegar em casa e terminar o relatório que o seu chefe havia passado há mais ou menos uma semana. “ Apenas mais um dia monótono” pensou ela, enquanto caminhava em direção ao seu apartamento, mas não, não era apenas mais um dia monótono, havia um bilhete embaixo da porta da sua casa e nele estava escrito: “ Não, não foi apenas um sonho, seu pesadelo está apenas começando”. E foi nesse exato momento que ela sentiu algo frio perfurar suas costas e então de repente ela estava lá naquela floresta novamente, porém agora ela via o rosto do assassino! Seu vizinho! Mas o que ele quer com ela? Era ele que estava lá, “te encontro mais tarde” ouviu ele dizer e no momento que ele ia golpeá-la novamente…senhorita que bom que você saiu do coma! O relógio marcava 18:30.
"O Mistério de Katarine" por Lara Mariana Alves Torres. Licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0.
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